Resenha do E-book Contos Sombrios de Natal

Olá pessoal!

Essa é a resenha que o escritor Victor Meloni fez para o e-livro Contos Sombrios de Natal, idealizado pelos escritores do Fórum Câmara dos Tormentos. Confiram e baixem o e-livro no link logo após a resenha.
Boa leitura!
A DIFÍCIL TAREFA DE DEMÉTRIUS NA ÚLTIMA NOITE DE NATAL (Afonso Luiz Pereira): Um cenário apocalíptico. Mortos-vivos em busca do único alimento que lhes satisfaz. Um grupo de pessoas a vagar por uma terra devastada pelas conseqüências de um confronto onde armas nucleares podem dizimar facilmente a vida em toda extensão do planeta azul. Proporcionar a experiência do natal, às crianças de um grupo, é a tarefa decidida pelos que já a experimentaram. Com esta premissa, Afonso nos leva a um passeio incomum, onde as personagens, vivas e mortas, travam uma batalha física e intelectual, na tentativa de definir aquilo que lhes é mais caro. Uma viagem insólita por uma paisagem conhecida pelos aficcionados do gênero, mas escrita com uma verve insuflada pelo tema da coletânea.

CONTO DE NATAL (Celly Borges): Quantas vezes pensou estar certo sobre o que lia, e de repente...Pois é, no breve texto que encontramos aqui, Celly faz questão de nos desviar da certeza, de nos desmanchar o óbvio. Não que outros escritores já não o tenham feito. Ao contrário. Mas é sempre (minha opinião) agradável quando nos pegam de surpresa, não é mesmo? Um irmão ciumento, invejoso? Ou apenas alguém incapaz de lidar com a solidariedade inata de sentimentos nobres? Bem, que a festa natalina tem sua parcela de responsabilidade, isso parece (agora sim, rsrsrs) bem claro.

NOITE FELIZ (Flávio de Souza): Responda-me rápido: o que a imaginação frustrada de uma criança pode criar? Mais uma pergunta: Se a frustração culminar num equivico traumático, o que o futuro guardará à uma pobre e impressionável garotinha? Quantas respostas, não é mesmo? O ser-humano é tão profícuo em possibilidades que qualquer esboço para responder as duas perguntas iniciais seria, ainda assim, uma “bola na trave”. Por isso mesmo Flávio acerta em cheio neste conto norteado por sugestões e fatos. A força da festa natalina é tanta, que até mesmo a mais aparente negligência pode transformar-se em pesadelo!

UMA NOITE MACABRA (George dos Santos Pacheco): Moleques nasceram para cometer erros estúpidos. Talvez seja a maneira da natureza nos ensinar. Na verdade a seleção natural parece mesmo apoiar, de certa forma, este breve argumento. Mas existem, no calendário incendiado da literatura fantástica, erros pelos quais não teremos a chance de corrigirmo-nos. Pacheco nos mostra como isso acontece em um conto que nos mostra, desde o inicio, que tudo vai acabar muito mal para um grupo de piás que consideravam mesmo estar fazendo a coisa certa. Coitados.

DESEJOS DE NATAL (Lino França Jr): Sempre achei que os presentes materiais representassem nossa falha em expressar o essencial. Ainda mais numa época em que este “essencial” é tão alardeado, e muito pouco encontrado. Nesta história, Lino (a mim, pelo menos) demonstrou que presentes são símbolos desnecessários na medida em que são substantivamente valorizados. A Litfan, aqui, serviu muito bem como solo, para construção de uma mensagem singelamente incomoda: se esta é uma “época” de refletir sobre valores, não faça nada as pressas. Não justifique-se com uma caixa embrulhada num bonito papel reluzente. Você nem parou para prestar atenção no seu conteúdo. Uma metáfora cheia de pavor, vocês verão.

UM PRESENTE DE NATAL PARA OS MORTOS (Luciano Barreto): Vamos acompanhar um médico legista na sua relação com eventos sobrenaturais durante os primeiros meses de sua aposentadoria. Contado em primeira pessoa, o texto nos leva a entender, ao final, os pormenores destas experiências, através de uma narrativa enxuta e, diria, pragmática. Assim como nos entrega um final envolto nas mais apreciadas tramas fantásticas. Posso dizer-lhes, meus amigos, que lembrei deveras daqueles episódios da série Além da Imaginação.

UM CERTO PAPAI NOEL (OU O INVERSO DO NATAL) (Luiz Poleto): Uma lenda versa sobre uma figura terrível que costuma-se confundir-se com o bom velhinho. Poleto faz uma família sofrer nas mãos, ou garras, desta personagem, de modo rápido, apesar da lacuna temporal entre os acontecimentos. Explico-me: rápido, aqui, diz respeito a maneira com que o autor narra os acontecimentos. E isso é o ponto alto da história. Sem tempo para respirar, somos atirados na crueza do que acontece e no “vermelho” do arremate final.

OS CINCO PRESENTINHOS (Paulo Soriano): O “Barão” é um dos principais nomes da Litfan nacional. Quem acompanha este apaixonante universo sabe do que estou falando. Na minha modestíssima opinião só havia um escritor a fazer-lhe frente, meu saudoso mestre e amigo Henry Evaristo. Só por isso, já vale muito a pena ler este conto. Com uma linguagem rebuscadamente inspiradora, Soriano conduz-nos em uma trama muitíssimo bem amarrada que revela, penso eu, como corações ingênuos e plenos de uma bondade difícil de entender podem ser vítimas daquilo que ignoram sobre o mundo dos homens. Bravo, Barão!


O SINISTRO NATAL DE RANDOLPH CARTER (Rogério Silério de Farias): O natal recrudesce o melhor e o pior do espírito humano. Asserção exagerada? Talvez. Mas o Sr. Carter certamente tem todos os motivos, crê ele, para pensar que sim. Ainda mais quando a solidão é a única companheira. Envolto em seus devaneios, vive a conjecturar a respeito de um passado nostálgico, à busca de locais incríveis. E acaba por encontrar aquilo que procura, nas mãos de quem parece indicar, para quase todos, algo melhor a nos aguardar.


UM CONTO DE NATAL (Tânia Souza): Maldições são naturalmente ruins? Esta não é uma pergunta retórica, embora pareça. Em todo caso, suas vítimas invariavelmente penam nas suas circunstâncias. E parece que isso é o que importa. É isso que Tânia me mostrou neste conto. Os detalhes são trabalhados minuciosamente, numa ordem aleatória que acusa a intenção da autora (posso estar errado, claro): nada é tão simples quando as emoções estão em jogo, ainda mais quando estas são amarradas às sensações desesperadoras e confusas.

São onze contos, mas o último é do próprio Victor Meloni e ele achou melhor não resenhar o texto por motivos óbvios!
Então, faça um favor a ele, baixe o livro, leia os contos e resenhe o conto dele!

Boa leitura!


Pacheco também é cultura!

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