Tragédia em Nova Friburgo

E aí amigos!

Pois é, vocês não vão se livrar de mim tão fácil! 
Então, no dia 11 eu estava sabendo apenas de uma casa que tinha desabado no bairro de Olaria, mas até aí, era algo um tanto previsível diante de chuvas seguidas, casas em mau estado de conservação desabarem. Diga-se de passagem que, eu não sei se a casa que desabou estava em más condições, eu apenas deduzi isso. 
Eu estava no Rio de Janeiro, dormi no trabalho essa noite. Então no dia seguinte eu não conseguia falar com minha esposa, nem com meus pais ou amigos. Alguns colegas de trabalho me paravam "pô tua área tá sinistra", mas eu não sabia porque não visto nenhum jornal. Foi quando eu vi uma foto na net de um cartão postal de Friburgo completamente destruído. Era a Praça do Suspiro e seu Teleférico. Fiquei maluco.
 
Praça do Suspiro. Ao fundo, a Igreja de Santo Antônio e o acesso ao Teleférico


Vila Amélia

Vila Amélia

Tentei entrar em contato mais vezes com minha família e nada. Pedi ao chefe para sair mais cedo, mas já sabia que não havia ônibus para Friburgo. Fui até Itaboraí, de lá para Cachoeiras de Macacu e de lá tentei subir, mas lá também não tinha ônibus. Decidi que iria a pé se preciso, mas uma ambulância do bombeiros passava no momento, eu e um amigo que encontrei em Cachoeiras conseguimos uma carona. 
Carro dos Bombeiros soterrado em resgate no centro da cidade
 
Até a serra estava aparentemente tudo normal, mas quando chegamos a Mury a situação começou a preocupar. Barreiras e mais barreiras, trechos da estrada desabaram deixando o tráfego em meia pista. Quando desci da ambulância a cena lembrava "Impacto Profundo", ou qualquer um desses filmes apocalípticos. As pessoas andavam a esmo, desorientadas. Algumas choravam, pediam socorro. Famílias dormiam nos carros. Prédios tidos como intocáveis no centro da cidade haviam desabado, outros tantos condenados. Ricos, pobres, negros e brancos. Ex-prefeitos, eleitores. Crianças, adultos, idosos, grávidas. Todos morreram. Alguns ficarão desaparecidos para sempre, não há condições de serem encontrados. 
Até agora são 395 vítimas em Nova Friburgo, 329 em Teresópolis, 67 em Petrópolis, 21 vítimas em Sumidouro, quatro em São José do Vale do Rio Preto e uma em Bom Jardim, totalizando 817 o número oficial de mortos em decorrência das enchentes e dos deslizamentos de terra que atingiram a Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro, segundo dados do IML.
O Hospital de Campanha da Marinha (HCamp) montado em Nova Friburgo no dia 15 de janeiro, na cidade de Nova Friburgo, contabiliza 2138 atendimentos realizados.

Hospital Raul Sertã
   

Rua do Colégio Jamil El Jaick, centro da cidade
  Cheguei em casa passando por lugares cobertos de lama e enfrentando barreiras, mas consegui chegar bem. Minha esposa e meus filhos, apesar de toda a chuva que enfrentaram estão bem, graças à Deus. Não perdi ninguém, nem a eles, nem meus pais, nem bens. Mas estamos sendo afetados indiretamente. Não temos acesso a alguns lugares, faculdades, os produtos em alguns mercados estão escassos e caros.
 
 


A cidade fora devastada por uma chuva nunca antes vista pelos moradores. Minha esposa conta que as janelas vibravam tamanha a força da água. Apenas água, não ventava. Hoje já tenho luz e telefone, de forma intermitente, mas água ainda não chegou. E quando chegar não poderemos bebê-la, pois existe a possibilidade dela estar contaminada.


Prédio no centro da cidade

Centro da cidade. À direita, o Edifício Itália

Praça do Suspiro. À direita o prédio do Centro Médico

Hotel na Praça do Suspiro

Conselheiro Paulino

A cidade vai se reerguer, em alguns meses ou anos, mas vai se reerguer. Serão dias difíceis.

E quem disse que viver era fácil?

Pacheco também é cultura!
Nova Friburgo, força sempre!

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