O MILITAR

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 Ninguém escolhe ser militar para ficar rico. E não há salário garantido no final do mês que faça alguém suportar tanto sacrifício, se não tiver feito tal opção por idealismo e vocação.

O militar está à disposição do Estado 24 horas por dia. Não ganha hora extra. Não escolhe função. Paga imposto de renda descontado em folha de pagamento. Se brigar com o chefe, está se arriscando a ir para a cadeia. Se abandonar o emprego é desertor. Não pode ter outro emprego com carteira assinada e direitos trabalhistas. Paga pela farda que usa. Não pode fazer greve nem manifestação em prol de suas reivindicações e direitos. Não pode negociar salário por acumular funções. Cumpre horário de trabalho rígido.

Os militares são mandados a morar nos mais longínquos e inóspitos lugares do País e vão, sem poder reclamar. O sacrifício de suas famílias com as constantes mudanças de endereço não tem dinheiro que pague. Todos ficam prejudicados: no desempenho escolar, na continuidade de relacionamentos de amizade e namoro, nas tentativas de desenvolver carreira própria, no caso das esposas.

Hoje, os militares estão pagando planos de saúde particular (os que conseguem) porque os hospitais militares estão desaparelhados e sem bons profissionais. A população e as tropas aumentaram, mas não foram construídas novas unidades. Gostaríamos muito de saber se, no caso de uma guerra, que Deus nos livre, para onde é que mandarão os militares feridos e que profissionais irão atendê-los. Será que os planos de saúde e os hospitais públicos terão condições de atendê-los e ainda pagar as contas?

Há 20 anos atrás, o salário dos militares dava para pagar as despesas e necessidades básicas de uma família de classe média (em todas as suas diferentes categorias – alta, média, baixa). As esposas trabalhavam para aumentar a renda e proporcionar acesso a uma vida mais confortável, com maiores oportunidades em cultura, lazer e atividades esportivas. Numa sociedade de consumo capitalista, infelizmente, o dinheiro é fundamental para garantir a formação de adultos bem informados, capacitados e cultos. As exceções só confirmam as regras.

O país não oferece mais escolas públicas de qualidade. Portanto, os filhos dos militares precisam, bem como toda a sociedade de classe média, pagar pelos seus estudos. Para os que não sabem, é preciso uma boa formação escolar para adentrar às Forças Armadas, pelo menos para ser militar de carreira. Portanto, não se conformarão se seus filhos tiverem formação escolar inferior à que tiveram.

Sem perspectiva, militares e cadetes da academia estão abandonando a carreira atraídos por concursos públicos que pagam melhor – a Polícia Rodoviária tem sido uma opção.
O Exército informou que os cadetes que fizerem o concurso terão que comunicar ao comandante a inscrição. Quem não comunicar terá seu caso analisado pelo Comando da Organização Militar e poderá ser punido de acordo com o Regulamento Disciplinar do Exército.

Por falar em formação escolar, o nível de exigência para admissão nas Forças Armadas vem diminuindo a cada ano, sob pena de faltar contingente mínimo. Por oferecer baixos salários e não contar com aparelhamento adequado para estimular seu quadro de oficiais e suboficiais, a carreira já não é mais procurada pelas pessoas de melhor formação cultural e intelectual do país. O problema é que num futuro bem próximo, teremos um quadro de oficiais superiores e comandantes de formação e origem duvidosamente perigosas, na medida em que serão responsáveis pelas armas pesadas e tanques de guerra. Armas em mãos erradas definitivamente não é um bom negócio.

O militar, quando está servindo no seu local de origem, geralmente não utiliza moradia funcional, tendo que pagar aluguel ou prestação de casa própria, coisa cada vez mais rara. Estando fora de sede, os militares e suas famílias ocupam casas ou apartamentos funcionais e em muitos casos, quando estes estão fora das bases, há que se pagar uma taxa que é descontada em folha de pagamento. Hoje há até quem tenha que pagar condomínio.

Só para que se possa ter uma noção de comparação, os militares de carreira norte-americanos têm sempre a opção de morar dentro das bases onde estão servindo, em casas ou numa espécie de hotel-alojamento. Dentro das bases há todo o tipo de comércio e serviços que se possa imaginar, dentre os quais supermercados e lojas de departamentos. Em nenhum destes estabelecimentos, os quais só se pode freqüentar com a carteira de militar (ou de esposa e filho), é cobrado qualquer tipo de imposto. Portanto as mercadorias e serviços são bem mais baratos. Os hospitais estão aparelhados e preparados para prestar qualquer tipo de tratamento médico e os remédios são gratuitos. E só para complementar, porque sei o que muitos devem estar pensando, aquele pessoal todo que vai para as guerras é CONVOCADO – o contingente militar da ativa, de carreira, é bem menor.

As Forças Armadas no Brasil desempenham um papel bem particular de ação social. São elas que levam alimentos e tratamento médico-odontológico às populações mais isoladas e pobres do país, onde não há interesse financeiro por parte dos agentes sociais. Prestam valiosos e impagáveis auxílios nos casos de grandes tragédias. O que não pode acontecer é usarem os militares para desempenhar funções nas quais os Estados estão falhando. Fica parecendo que militar não tem função específica e, como não está fazendo nada mesmo, pode ser usado como “pau pra toda obra”.

Tem gente que acha que militar das Forças Armadas trabalha pouco, não faz quase nada produtivo, socialmente falando e que não fariam praticamente nenhuma falta se não existissem. Gostaríamos de lembrar que quando militar parece ser dispensável é porque está fazendo um excelente trabalho. Acreditem: Ninguém gosta de ver militar em ação, digo, aparecendo, porque neste caso, estaremos em guerra!

Para terminar, um sincero pedido:
Com todo o respeito que nutrimos por todos os funcionários públicos civis, por favor, não se comparem e nem aproveitem ganchos de protestos. Funcionários públicos civis e militares têm muito pouca coisa em comum. Afinal, não temos notícia de nenhum funcionário civil que tenha jurado defender e proteger o Brasil e o povo brasileiro com o sacrifício da própria vida se for preciso.

Pacheco também é cultura!

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