Comida ruim hoje?

Recebi este e-mail há algum tempo atrás e sabe... me fez lembrar quando eu era criança. Se a comida não estava a meu agrado eu reclamava e pedia para minha mãe fazer outra coisa, ou simplesmente dizia que não ia comer mais. Para tentar burlar a fiscalização de minha mãe, e tentar fazer com que ela acreditasse que eu tinha comido muita coisa, eu juntava o restante da comida com o garfo para uma borda do prato, parecendo assim que mais da metade da refeição tinha sido consumida. Não sei se ela caía nessa, mas depois de alguns apertos ela não me obrigava a comer. Eu tinha medo sim, do meu pai, que era um pouco mais severo que ela. Dizia que não se devia jogar comida fora, que tinha muita criança por aí passando fome, fato que só comprovei mais tarde, quando cheguei à adolescência.

Bem, este e-mail que recebi estava entitulado "A foto que chocou o mundo". Sensacionalismo? Não meus caros. O E-mail poderia se chamar simplesmente "Fome" e o recado estava dado. Trata-se de uma foto que um fotógrafo chamado Kevin Carter fez em 1994 durante uma crise de fome que avassalou o Sudão. Ela foi ganhadora do "Prémio Pulitzer". Segue a dita cuja:

A foto mostra uma criança faminta e agonizante, que rasteja na direção dum campo de alimentos das Nações Unidas, situado a 1km de distância. O abutre espera que a criança morra, para a poder comer. Esta foto chocou o mundo inteiro. Ninguém sabe o que aconteceu à criança, nem mesmo o fotografo Kevin carter, que deixou o local logo que terminou a foto.

Três meses mais tarde, em 27 de julho de 1994, Carter levou seu carro até um local da sua infância e suicidou-se utilizando uma mangueira para levar a fumaça do escape para dentro de seu carro. Ele morreu envenenado por monóxido de carbono aos 33 anos de idade. Partes da nota de suicídio de Carter dizia:

"Estou deprimido… Sem telefone… Sem dinheiro para o aluguel.. Sem dinheiro para ajudar as crianças… Sem dinheiro para as dívidas… Dinheiro!!!... Sou perseguido pela viva lembrança de assassinatos, cadáveres, raiva e dor... Pelas crianças feridas ou famintas... Pelos homens malucos com o dedo no gatilho, muitas vezes policiais, carrascos... Se eu tiver sorte, vou me juntar ao Ken..."

Isso tudo faz a gente pensar. Não estamos dando importância demais a coisas fúteis?
A foto foi tirada na África, mas caros leitores, a fome está bem próxima de nós...
No Nordeste, no subúrbio de sua cidade, e agora você está lendo um artigo em um blog na internet. O que fez por eles hoje? O que tem feito para mudar isso?

Ano que vem teremos novamente eleições e pode se preparar, aparecerão vários trazendo a solução milagrosa e em quatro meses desaparecerão da mesma forma que surgiram. São neles que você confiará? Não adianta votarmos e ficarmos sentados assistindo ao jornal dizendo: " Caramba, ninguém faz nada!Se fosse para votar aumento para eles próprios, rapidamente fariam..."

Quantos mais precisarão morrer? Quantos mais se suicidarão?

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A primeira vez em que eu quase morri

Uma experiência de quase morte não é algo muito fácil de esquecer, sobretudo quando se tem 16 anos. Nessa época, eu era um rapaz latino-americano, franzino e com algumas espinhas na testa. É verdade, era mais do que eu desejava, se é que alguém deseja ter espinhas. Eu era o típico adolescente: cheio de sonhos, impulsivo e medroso. Mais medroso que impulsivo, aliás.

Sobre o apego e as lembranças que escapam lentamente

O primeiro bem que meu pai me deixou, meio sem querer, foi seu aparelho de telefone celular. Não é um smartphone, não acessa a internet. A câmera fotográfica integrada tem parcos megapixels. As pessoas riem do aparelho quando são apresentadas a ele, sem saber que ali dentro, naquela caixa preta, está guardada minha pequena herança particular.

"Uma Aventura Perigosa"

Max de Castro é um funcionário público insatisfeito com trabalho e com problemas no casamento. Após uma crise de estresse em pleno expediente, incentivado por um psicanalista em um programa de entrevistas, escreve uma carta confessional, que deve ser escondida e destruída em 24 horas, mas a mesma desaparece, antes que ele pudesse fazê-lo. Começa então o inferno de Max, angustiado pela possibilidade de seus maiores segredos serem descobertos, ou por sua esposa, ou por sua cunhada, a jovem Sophia, por quem se sente fortemente atraído.

Cinema: Frances Ha

Em Frances Ha (2012), Frances (Greta Gerwig) é uma jovem nova-iorquina de 27 anos que não corresponde às expectativas idealistas de uma sociedade que exige do indivíduo o sucesso em questões profissionais e afetivas nessa fase. Ao contrário, como muitos jovens nessa idade, Frances ainda não faz ideia do que, para ela, é ser bem sucedida. O artista francês Eugène Delacroix escreveu em 'Diário' que para se chegar a segurança e maturidade do espírito é necessário passar pela sutil delicadeza da nossa sensibilidade juvenil.
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