Breve história de Nova Friburgo

Ao findar as guerras Napoleônicas, que se sucederam à Revolução Francesa, a Europa continental achava-se inteiramente exausta e arruinada, principalmente os países mais pobres, como a Suíça.

A Suíça sempre vivera da agricultura de subsistência nas épocas próprias do ano e da indústria artesanal fina, quando a neve cobria, com seu manto branco, os seus campos agrícolas.

Seus teares eram manuais e de acanhada produção. Tudo o que fabricavam era destinado à exportação.
A maioria dos suíços, homens, mulheres e crianças, passavam parte de seu tempo arando a terra e, fora disso, durante o inverno, cardando, fiando, urdindo, tecendo e tingindo seus excelentes produtos artesanais que, um dia, foram intensamente disputados pelos mais ricos.

Foi quando sobreveio a chamada "Era Industrial". Novas e possantes máquinas movidas a vapor, sobretudo na Inglaterra, passaram a substituir os velhos teares manuais. Se não fabricavam produtos melhores, fabricavam-nos muito mais baratos. O artesanato suíço foi completamente aniquilado. Aos helvéticos restou apenas, a agricultura.

O ano de 1816 iniciou-se prometendo fartura. Os campos foram arados e plantados. As sementes germinaram com pujança. Ao se aproximar a época da colheita choveu seguidamente, muito mais do que o desejável. As plantas perderam o vigor e feneceram.
Sem trabalho e sem colheita, o povo suíço dos cantões mais pobres viram-se na miséria. Houve fome!

Tangidos pelas mais prementes necessidades, os suíços mais pobres passaram a emigrar. Emigrar de qualquer forma e para qualquer lugar. Na maior parte das vezes perdiam-se durante a caminhada ou eram roubados da forma mais descarada. O que fazer, meu Deus!?
Sébastien-Nicolas Gachet, friburguês de Gruyères, elaborou um plano audacioso: se seus patrícios queriam emigrar, por que não fazê-lo de forma ordenada? Por que não organizar uma emigração com o apoio dos governos da Suíça e do Brasil, país este escolhido para destino dos emigrantes?

Em 16 de maio de 1818 foram assinadas, por D. João VI, rei de Portugal e do Brasil, as "CONDIÇÕES" para a vinda de 100 famílias suíças que fundariam Nova Friburgo, a primeira colonização não portuguesa em caráter permanente, a se radicar no Brasil.
Não vieram, apenas, 100 famílias, vieram 2006 pessoas de ambos os sexos e de todas as idades que, embarcados em sete veleiros, realizaram a mais fantástica e épica aventura havida em busca das terras do Brasil.

O desenrolar da viagem empreendida pelos colonos transformou-se em autêntica odisséia. Dos que deixaram a Suíça, em 4 de julho de 1819, 311 morreram a bordo e foram sepultados no Atlântico. 50 morreram em outros locais, durante a viagem, e mais 131 faleceram nos primeiros seis meses, já no destino, em virtude de doenças contraídas na travessia. No veleiro Urânia, dos 427 colonos embarcados, 107 morreram durante a viagem. Num só dia, 7 corpos foram lançados ao mar!

O estabelecimento da distribuição de terra foi feito sem a preocupação com o terreno. Foram distribuídos lotes para as famílias que chegam a Nova Friburgo. Porém como o número de imigrantes era muito grande algumas pessoas começaram a morar em locais fora do centro da cidade, onde encontram terra para o desenvolvimento da agricultura e Isso causou um êxodo rural. A região passou por uma decadência e, em 1824, imigrantes alemães foram trazidos cá na tentativa de reavivar o local. Mas o problema era ausência de infra-estrutura que impedia que as pessoas tivessem condições de sobrevivência.

Existe um mito de se dizer que o município possui traços do domínio suíço, mas isso não se observa na arquitetura. Não houve tempo das famílias vindas da Suíça desenvolver uma cultura própria para a cidade, pois a região já era habitada por descendentes de portugueses. O que prevalecia na época era a arquitetura do Brasil colônia. Nos anos 20, quando a cidade completou seu centenário, houve uma tentativa de importar uma arquitetura própria da Suíça. Nos anos 80, a idéia foi reincorporada pelo ex-prefeito Heródoto Bento de Mello que desenvolveu todo um trabalho de resgatar a história do município. Mas tudo isso representa uma tradição inventada.

Os suíços chegados, por fim, fundaram e habitaram Nova Friburgo: a mais gentil, meiga e formosa flor das montanhas do Brasil!
Fonte:Friweb



Pacheco também é cultura!

"Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida."- Provérbio Chinês

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